segunda-feira, 5 de maio de 2008

Tempo

Para sorrir. Para dar aum abraço. Para observar um pássaro voar e cantar alegremente entre as árvores ou pela selva de pedra das grandes cidades. Para colocar os pés no alto e dizer, hoje é meu dia!. Para dizer “Oi, bom dia” aos proteiros, aos faxineiros, aos seguranças. Não seguramos a porta do elevador para o vizinho que está à meio passo de distância, para não perder tempo e não ter de aguentar aquela conversinha: “Nossa, como esfriou” ou “Nossa que chuva, que calor!”.
Não temos tempo de ajudar um idoso ou um deficiente na rua por que estamos atrasados. Ignoramos o pedido de socorro de alguém, por que já havia muitas pessoas no local. Não conversamos com nossos pais, por que não há tempo de se reunir. As crianças não tem tempo de ser realmente crianças. Elas aprendem logo cedo as regras de etiqueta, a nadar, a correr, a jogar futebol, esgrima, volei. Ela estudam pensando no futuro. Um futuro promissor.
Não existe mais almoço de domingo com a família, por que o mesmo tornou-se um dia comercial como todos os outros. Logo, alguns membros da família tem que bater cartão. Não temos tempo de ler nossos livros preferidos. Nem tempo de escolher um que seja nossa cara na Livraria. Na internet é tudo mais prático e objetivo. Ninguém mais toma café lendo um jornal. Agora, todo mundo toma café-da-manhã lendo as notícias frescas e mal escritas da internet.
Também não temos tempo de reunir os amigos e a família para um jantar. O anfitrião não tem mais tempo de cozinhar para os convidados. É tudo na base do congelado, ou então, todos vão pra um bar e enchem a cara para afogar as mágoas, tristezas, decepções, frustrações.
Deixamos de fazer coisas que nos fazem felizes para agradar a terceiros.

Corremos contra o tempo para: buscar a felicidade? O sucesso material? Financeiro? Aprimorar conhecimentos e técnicas? Completar-se? Agradar aos outros? Ser melhor que os outros? Alcançar status? Poder? Sobreviver?

Consciente ou Inconscientemente, todos nós somos escravos do capitalismo e do seu lema: “Tempo é dinheiro.”

Fiquei pensando em tudo isso hoje de manhã no caminho ao meu trabalho. Desde o despertar é uma correria sem fim. De repente, depois de um safanão no metrô, me perguntei: “Será que tudo isso vale a pena? Tem que valer, meu Deus, tem que valer!”.

Beijos! :)

7 comentários:

Alcides disse...

Flávia,

Quando pensamos num relógio, pensamos nele em forma de círculo.É isso.A música US AND THEM do Pink Floyd diz: "pra cima e pra baixo, e no fim de tudo estamos apenas girando e girando".Quando tentamos sair desse círculo vicioso alguém nos chama de "quadrados".Mas é sempre bom termos consciência de que não devemos ser escravos de nada.

Um beijo!

Alcides

Vinícius Aguiar disse...

Esse é o grande dilema da tal "vida moderna! Flavinha. Sinceramente, não sei se vale à pena não... isso é algo que me pergunto todos os dias, mas como vc disse, somos levados o tempo inteiro a ser assim, a agir assim, a viver assim... fazer o quê??
É a "vida"!

beijos!

Bruna Souza disse...

tempo tempo tempo mano velho...vale sim flor, vale sim...nós fazemos valer...de uma forma ou outra...

Ivan Santos disse...

Querida amiga, quanto mais leio seus textos mais chego a conclusão de que o "romantismo" não desapareceu.

O tempo é o regulador da vida.

As unidades de tempo mais usuais são o dia, dividido em horas e estas, por sua vez, em minutos e estes em segundos.

A concepção convencional de tempo é avaliada por intervalos ou períodos de duração. Por influência das idéias supostamente desenvolvidas pela pedantia de Einstein (teoria da relatividade), tempo vem sendo considerado como uma quarta dimensão do contínuo espaço-tempo do Universo, que possui três dimensões espaciais e uma temporal.

Podemos ainda visualizar o tempo não só como uma visão científica, mas também "romantica", como você descreveu acima em seu texto. Antes da nossa nossa era moderna temos relatos da importancia de tempo, especialmente da noção linear (um evento depois de outro).

Mas como começou essa estória do tempo?

Analisando algumas tradições humanas e seu mitos (deixando o científico de lado), vamos encontrar o mais perfeito exemplo de que o tempo estava com o "Criador", antes mesmo do mundo ser mundo. Quando Deus criou o céus e a terra, já havia a noção temporal de princípio. Ora, se há um pricípio, há um fim. E mais adiante Deus determina as divisões do primeiro relógio que a humanidade conhece; O dia e a noite.

"NO princípio criou Deus os céus e a terra.

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

E disse Deus: Haja luz; e houve luz.

E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. " (Genesis, 1:1)

Interessante em pensar que Deus como um ser Onipotente não está sujeito ao Tempo (sendo eterno), E o que ELE nos promete é o "dom da eternidade" (teologicamente falando).

A necessidade de um ser Onipotente e eterno criar uma noção temporal a suas criaturas é um tanto quanto curioso e irônico, ainda mais porque somos semelhantes ao Criador.

A sub-divisões subsequentes do tempo foram causadas pela necessidade humana de marcar progresso, estipular metas, estapas da vida, eventos naturais, etc...

Embora que o texto se apresente mais de gênero social e filosófico, o tempo é muito citado. Como se o tempo fosse um vilão. Qual de nós não gostaria de parar de contar o tempo enquanto estamos felizes? Parar o relógio justamente no segundo de um sorriso.

"Que o amor seja eterno enquanto dure..." (Vinícius de Moraes).

O ser humano não entende a morte e/ou infelicidade, o que é o pior, ignora completamente. Quando vamos a um funeral vemos o corpo inanimado, bem vestido, muitas vezes até com maquilagem. Queremos que na "parede" de nossa memória fique a imagem "impressa" como um quadro, parado no tempo. Queremos ter a impressão de que naquele momento (o último) o falecido estava bem vestido e saudável. Na realidade fazemos isso para os vivos e não em respeito aos mortos. Temos a necessidade de guardar em nossa memória imagens que sejam confortáveis para nós mesmos. Criamos cenários, fazemos filmes, estórias com finais feliz, musicas romanticas, livros, mesmo que seja morbidamente irônico.

Clássicos da Literatura como Romeu e Julieta de W. Shakespeare, geniosamente, nos fazem essas questôes soarem em nossa mente coletiva e nos incomodam muitíssimo. Felicidade nem sempre é alcançada enquanto temos "o tempo necessário" para que possamos nos saciarmos com ela.

Na pragmatismo de nossa vida moderna não cabe muita filosofia. E quando nos aventuramos em tais temas somos inundados com um sentimento melancolico quase como de perca.

Questões como a que você se perguntou (retoricamente) são muito naturais. “Será que tudo isso vale a pena? Tem que valer, meu Deus, tem que valer!...”.

Tem muitos outros exemplos de pessoas devagando sobre tal tema, como por exemplo:

"Sorrir
(Djavan, João de Barro)

Sorrir,
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos,
vazios


Sorrir,
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorrir,
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados,
doloridos

Sorrir,
Vai mentindo a tua dor
Que ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz.."


"Tristeza não tem fim, felicidade sim..." (Tom Jobim, Vinícius de Moraes)



"Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde pra plantar e pra colher. Ter um casinha branca de varanda. Um quintal e uma janela para ver o sol nascer..." (Casinha (1979) - Gilson, Jorar e Marcelo)


A vida é o que é e nem sempre é feliz. Porém a felicidade é relativo aos valores de cada indivíduo.

Mas, para você minha amiga-irmã eu deixo essa frase;

"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5)

Veja que o tempo está citado acima e dividido entre noite e dia, entre tristeza e alegria. Mas no tempo da manhã vem a felicidade. Em outras palavras, o final é feliz e vale a pena.

Seu amigo,

Ivan.

Ivan Santos disse...

Flávia,

Pode por favor corrigir meu comentário?

Onde escrevi "estórias com finais feliz.."

Mude para: "estórias com final feliz..."

Desculpe, sei que tem muitos outros erros mas esse foi gritante!

E que estava um pouco sem tempo para revisar tudo que escreví. (Irônicamente)

Ivan.

Cris disse...

Por isso que eu digo SIM ao "neo-bucolismo" - conforme (bem)definido pelo Alcides!

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena".

Tempo tem bastante a ver com felicidade. Aliás, está diretamente ligado a ela! Fazer as goisas que se gosta no tempo que se tem. Isso é ser feliz! Sair da caixa, de tudo o que nos prende, nos sufoca e nos determina. Dinheiro é ou traz felicidade? Para quem? Minha felicidade está relacionada a trabalhar nos finais de semana? Vamos repensar nossa vida...quanto mais cedo, melhor!

Beijos, minha querida!
ADOREI ter te visto hoje!
Fique com Deus!

Leandro Budugo disse...

AI GENTE,

EU VOU FALAR O QUE DEPOIS DE TUDO ISSO...

SÓ ME CONFIRMA QUE O "MEU BLOG" DEVE DESAPARECER

NÃO MERECE COMPETIR COM O SEU FLÁVIA.
ELE É TÃO ÍNFIMO... RSRS

BJKS
L.