quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

14 de janeiro - Que dia pra esquecer!


O susto

Como em todas as quarta-feiras, saí correndo do Sabre em direção a São Caetano. Havia combinado um jantar com o Júnior às 19h00. Cheguei no Metro Ipiranga e o ônibus já estava descendo a rua. Saí correndo para não perde-lo. Pensei: dei sorte, graças a Deus! Ainda mais, porque estava caindo uma chuva daquelas e meu sapato já estava ficando encharcado. Entrei, sentei, me sequei e relaxei. O ônibus iniciou a viagem, e eu, como sempre distraída, estava prestando atenção em nada.

Quando chegamos a Heliopolis, agora sim, eu estava prestando atenção em muitas coisas. Nas pessoas, nas miniaturas de casas, nos barracos intitulados como casas, nos inúmeros salões de cabelereiros que cobram R$3,00 o corte e na quantidade absurda de bares e botecos espalhados pelo bairro. Meu telefone tocou. Era minha mãe perguntando se estava tudo bem. Respondi-lhe que sim e disse que ao encontrar com o Júnior, ligaria avisando.

O ônibus estava lotado. Cheio de pessoas cansadas e com sono de trabalhar o dia inteiro. O veículo para. Dois homens entram. E assim, começa o desespero. No fundo do ônibus, as pessoas se amontoaram. O assalto foi anunciado. Nesse momento, eu já não entendia nada. Só queria sumir. As ameaças de tiros eram feitas a cada segundo e eu só pedia para Jesus me proteger. Minha vida passou em meus pensamentos em uma fração de segundos. Tive medo de morrer, de perder minhas coisas que lutei tanto para conquistar, pensei no meu namorado, na minha família, nos meus amigos, no sequestro do ônibus 174 ... eu só queria sumir dali.



Já pensava em uma estratégia de fuga, esconderijo. Surpreendentemente, alguns passageiros bateram nos dois homens, expulsando-os do ônibus. Assim, eles fugiram com uma moto escondida atrás de uma árvore. Quando o ônibus deixou aquele ponto, eu desabei... chorava, tremia, agradecia à Deus por não ter acontecido nada comigo. Desci tremendo, pálida e corri para os abraços do meu amor. Enfim, estava salva e segura.

Agora eu só penso em um caminho alternativo para chegar até São Caetano sem ter que passar por ali...

Acidente


Vocês devem ter lido ou ouvido falar em algum lugar sobre este assunto. A ciclista que morreu atropelada em frente ao prédio que trabalho aqui na Paulista foi assassinada pela violência do trânsito caótico de São Paulo. E ainda pra piorar, a curiosidade mórbida das pessoas que ficam em cima de um corpo, olhando, apontando, comentando e atrapalhando o trabalho dos profissionais do Resgate, Corpo de Bombeiros, Policiais, Perícia, entre outros. Ô povo sem noção.

Violência no trânsito, nas favelas, nas escolas, nas empresas, nos cinemas, nos parques, nas casas... onde esse mundo vai parar?

Esses fatos do nosso cotidiano servem para que possamos dar mais valor às pessoas que amamos. E viver intensamente todos os dias. Como se fossem os últimos.

Beijos!

2 comentários:

A Palavra Mágica disse...

Flávia,

"...mas nada perturba o meu sono pesado/Nada levanta aquele corpo jogado/Nada atrapalha aquele bar ali na esquina/Aquela fila de cinema/Nada mais me deixa chocado/Nada!" (Paralamas)

Fico com suas palavras: "Onde esse mundo vai parar?"

Beijos!
Alcides

Vinícius Aguiar disse...

É verdade que temos vivido num mundo meio louco, que infelizmente foi criado por nós mesmos... a nossa única saída é continuar fazendo a nossa parte como seres humanos, e pedir sempre a Deus que possa abençoar as pessoas a quem amamos, para que nada de mau possa lhes acontecer. No mais, é seguir a vida!

Beijos Flavinha, e aparece!