sábado, 24 de maio de 2008

A agonia da política brasileira

Ontem, senti uma imensa tristeza quando meu pai falou-me sobre o falecimento do Senador Jefferson Peres do PDT de Amazonas. Um dos poucos honestos e éticos que a política brasileira tinha em seu elenco. Agora, a agonia aumenta mais um pouco. Enquanto os bons se vão, os maus continuam atuando vigorosamente em busca de mais projetos inescrupulosos de corrupção. Projetos sociais, ambientais, energéticos, educacionais, de saúde e saneamento? Sempre em segundo plano.

Nas eleições de 2006, Peres fez um discurso inflamado e indignado no Senado. Criticou duramente toda a classe política brasileira e também a sociedade que se mostrava conivente com as denúncias de corrupção que assolavam (ainda assolam) o país. Diante de toda informação que circulava em todas as mídias (rádio, tv, jornais, internet), os eleitores pretendiam reeleger políticos envolvidos em falcatruas das mais variadas espécies.

Diante disto, decidiu cumpri seu mandato que iria até 2010 e depois, deixaria a política. Ele poderia renunciar, mas em respeito aos seus eleitores, ele havia decidido ficar. Mesmo frustrado, ele continuaria trabalhando e lutando pelos direitos do cidadão.

Políticas de assistência pública às camadas sociais mais desfavorecidas são imediatistas e compram votos. Como é caso do Bolsa-Família que garante apenas o hoje. E o amanhã? O que dá dignidade ao cidadão é TRABALHO. Não é emprego. Emprego não é sinônimo de ocupação. O trabalho é que garante o crescimento econômico, o poder de compra, a igualdade social. O trabalho dá acesso à alimentação, à vestuário, educação, saúde, lazer. Já ouvi muitas histórias de famílias que “se viram” com o bolsa-família, pois o valor alivia o desemprego. É claro que estas famílias não deixaram de votar naquele que ofereceu essa grande “ajuda”.

E assim, torna-se quase impossível sair deste círculo vicioso. O tempo passa, e o Brasil continua sendo um país emergente. Mesmo com terras abundantes, solo fértil, com Sol quase o ano inteiro...
Poderíamos ser uma nação justa se não fossemos tão complacentes com essa situação. Se lutássemos verdadeiramente pelos nossos direitos, se fossemos às ruas brigar, exigir daquele deputado, vereador que a maioria não se lembra ter votado. Vamos levando a vida do jeito que dá. Do jeito que Deus quer. E quando tudo aperta, damos um “jeitinho brasileiro”.

Em um país onde ser honesto e ético é motivo de chacota, o que poderemos esperar? Algo melhor? A onda aqui é ser esperto, inescrupuloso, antiético. E coitados daqueles que pretendem agir de forma correta. Com certeza vão sofrer!

Sinto-me frustrada com a política desde as últimas eleições. Sem muita esperança de mudanças. Tento fazer minha parte. Agir corretamente, assim como foi ensinado pelos meus pais. Ser honesta, ética e cumprir com meus deveres e obrigações de cidadã. E quem sabe um dia, fazer um pouco mais, participando de alguma ONG. Um desejo que aumenta a cada dia...

Discurso de Jefferson Peres feito no dia 30 de agosto de 2006:

http://www.youtube.com/watch?v=QhSeR-amXlQ
E a música abaixo, composta por Renato Russo na década de 80, continua atual como nunca:

Que País é Este
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No amazonas, no araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, minas gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis e documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Beijos!!!

2 comentários:

Vinícius Aguiar disse...

Concordo plenamente Flavinha, com absolutamente tudo que você escreveu, exceto com a tal "desesperança" que de fato tem tomado conta das nossas mentes mais pensadoras. O Sen. Jéfferson Peres era um dos maiores exemplos de homem público, mas todas as coisas pelas quais ele e alguns poucos outros lutaram durante suas vidas não podem nem devem ir para o túmulo junto com suas matérias. Precisamos aprender a ver as coisas com os olhos um pouco mais otimistas, e é fato que as mudanças de mentalidade e de atitude já vêm acontecendo, a passos lentos, é verdade, mas elas são reais. Quem antigamente podia ver um político sendo algemado publicamente? Quem via a polícia federal desmontar quadrilhas de funcionários públicos que surripiavam descaradamente o nosso dinheiro? Embora ainda falte muito, essas pequenas evoluções faz com que possamos ter um pouco de esperança e continuar lutando, como eu, você e muitas outras pessoas têm feito! Não desista, porque o país precisa de pessoas conscientes e inteligentes como você para que nosso futuro seja garantido, pois somos nós, os jovens de hoje, que iremos determinar o Brasil de amanhã!

Alcides disse...

Flávia!!!

Que veia jornalística hein?
Seu texto poderia ser editorial de qualquer grande jornal, parabéns!
Quanto ao bolsa-família, só para acrescentar: "A gente não quer só comida/A gente quer comida, diversão e arte/A gente não quer só comida/A gente quer saída para qualquer parte/A gente não quer só comer/A gente quer comer e quer fazer amor/A gente não quer só comer/A gente quer prazer pra aliviar a dor/A gente não quer só dinheiro/A gente quer dinheiro e felicidade/A gente não quer só dinheiro/A gente quer inteiro/E não pela metade."

Um beijo!
Alcides